Plantas Tóxicas podem causar prejuízos à Pecuária

Alguns sintomas podem levar anos para se manifestarem enquanto outros levam o animal ao óbto em algumas horas

Bezerra intoxicada pela ingestão de Chibata

Bezerra intoxicada pela ingestão de Chibata.

A criação de gado bovino é uma atividade que possui grande importância no processo de desenvolvimento no Brasil. Porém, essa atividade enfrenta vários problemas ligados à saúde dos animais. Trata-se da existência de plantas tóxicas nas pastagens, naturais e cultivadas, nas várias regiões do Brasil.

 

As plantas tóxicas causam prejuízos à pecuária não só no Brasil, mas também no exterior. De modo geral, entre as razões que levam os animais a ingerirem essas plantas nocivas merecem destacar a falta de pastagens adequadas e a escassez de alimentos, fatores responsáveis pelas intoxicações e mortes dos mesmos. Como consequência, surgem os prejuízos econômicos que os pecuaristas têm de enfrentar.

 

No Brasil estima-se que 12% dos óbitos nos rebanhos sejam decorrentes da ingestão de plantas tóxicas, visto que são registradas em todo o país cerca de 80 espécies dessas plantas. Dessas perdas, 50% ocorrem na Amazônia, seguida pela Região Sul, onde 14% das mortes de bovinos registradas são por intoxicação de plantas. Vale ressaltar que esses vegetais são capazes de intoxicar bovinos, também, no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, são plantas que possuem princípios ativos diferentes, o que dificulta o diagnóstico.

 

Os danos causados pelas Plantas Tóxicas nos animais apresentam os mais variados quadros anátomo-clínicos ou doenças. Além disso, as substâncias tóxicas contidas nessas plantas afetam os órgãos dos animais. Com relação à sua evolução, essas doenças podem ser superagudas, agudas, subagudas ou crônicas. Assim, as doenças causadas por plantas tóxicas constituem um grupo de entidades mórbidas, importantes sob o ponto de vista patológico e econômico.

Detalhe da Camboatá

 

Segundo Sebastião Silva, autor do livro “Plantas Tóxicas - Inimigo Indigesto”, “Na maioria dos casos, os animais não apreciam as plantas tóxicas, eles as ingerem forçadamente devido à fome ou quando estão misturadas com outro alimento”. Alguns exemplos de toxidez são os frutos da camboatá (Quarea trichilioidea L.), árvore utilizada como sombreamento das pastagens em épocas de extrema seca, ou a corona (Mascagnia publiflora, (Juss.) Glisebach.) que cresce enrolando-se em capins. Outros fatores, como a brotação das plantas após roçada dos pastos ou derrubada de matas, aliados à fome dos animais devido à escassez de melhores alimentos, podem explicar a intoxicação e a morte dos animais pela ingestão de plantas pouco palatáveis e tóxicas, como é o caso da coerana (Cestrum laevigatum Schlecht.) e a do alecrim (Holocalyx balansae Mich.).

 

Os efeitos de uma planta tóxica sobre os animais dependem do princípio tóxico nela contido, da quantidade ingerida, da tolerância e intolerância do animal à planta e das condições do ambiente onde eles se encontram. Dentre as más condições estão a fome, a sede, o cansaço e mesmo a subalimentação. Desse modo, a resistência dos animais a algumas plantas pode ser inata ou adquirida. Se adquirida, a tolerância é alcançada com a ingestão frequente de pequenas quantidades das plantas, desde que o princípio tóxico não apresente efeito acumulativo no organismo animal.

 

Assim, a intoxicação dos animais por plantas tóxicas tem particularidades desconhecidas, algumas podem levar muitos anos para que os sintomas se manifestem, visto que algumas delas possuem efeito tóxico acumulativo.  Por outro lado, muitas delas, se ingeridas em determinadas quantidades, levam o animal à morte em poucas horas. Ressalta-se que, ao mesmo tempo, a toxidez de algumas delas varia em conformidade com o seu ciclo vegetativo, seu habitat e as condições de ingestão. Desse modo, uma determinada espécie pode ser muito tóxica no Nordeste e não apresentar qualquer grau de toxidez no Sul, por exemplo.

 

O autor Sebastião Silva finaliza dizendo que “as principais vítimas das plantas tóxicas são os bovinos, devido ao fato desses animais terem degustação quase nula, e a rápida degustação impede o animal de selecionar os alimentos, rejeitando os que podem ocasionar algum problema”. Além disso, a digestão prolongada dos ruminantes possibilita uma absorção maior do princípio tóxico e, consequentemente, eleva os riscos da intoxicação.

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